sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

K-1 World Grand Prix definido para sábado no Japão



Os eventos de luta no Japão estão a cada dia retomando a sua popularidade, ainda distante da “época dourada” do Pride, mas conquistando novos públicos à cada temporada, com os shows do Rizin sendo exibido na TV aberta em horário nobre, e o “novo K-1” ( como se auto intitula a versão atual daquele que já foi “o maior evento de ‘trocação’ do mundo” ), tendo as suas lutas transmitidas ‘ao vivo’ pela TV aplicativo ABEMATV.

Não custa lembrar que o ABEMATV também tem os direitos de transmissão do ONE Championship, Pancrase e outras franquias de luta, conquistando uma legião de novos fãs que não acompanharam o auge do antigo K-1 e do extinto Pride.

O “novo K-1” por sua vez, tem se concentrado nos lutadores japoneses de categorias mais leves e desenvolveu uma rivalidade natural, profissional e saudável com o RISE, segunda maior promoção de Kickboxing da terra do Sol Nascente.

Enquanto isso, o RIZIN, presidido por Nobuyuki Sakakibara, até por ser um ringue neutro, costurou uma aliança estratégica com as franquias rivais ( K-1 e RISE ) e está trabalhando para colocar as duas maiores estrelas do kickboxing de ambas as promoções ( Segawa Takeru e Tenshin Nasukawa ) para duelarem em seu tablado num futuro próximo.

Os fãs de luta no Japão vêm especulando sobre a perspectiva de uma luta entre Segawa Takeru e Tenshin Nasukawa há vários anos. Mas com este último competindo pelo Rise e também pelo Rizin e o primeiro sendo contratado exclusivamente para o K-1, este ‘matchup’ de kickboxing dos sonhos não parece estar próximo de se tornar realidade.

O “novo K-1” também enfrenta problemas com os seus contratos que são estendidos por 1 ano automaticamente a cada luta realizada por seus lutadores, o que garante exclusividade e os lutadores acabam ficando presos ao contrato do K-1. Isso gerou muitos processos por parte de alguns lutadores e também pela agremiação rival RISE, alegando ilegalidade.

Não custa lembrar que o K-1 também já tentou tirar Nasukawa do rival RISE anteriormente, exigindo que Nasukawa assinasse um contrato de exclusividade com o K-1 para poder lutar contra Takeru, mas Nasukawa recusou a proposta por fidelidade ao RISE.
Agora, tudo depende do Rizin casar essa luta.

Enquanto isso não acontece, o K-1 continua trabalhando duro para recuperar o ‘status’ que um dia ostentou no Japão.
O próximo evento da franquia será o K-1 World Grand Prix Lightweight 2018 e está marcado para Osaka, neste sábado ( 8 de Dezembro ). Oito competidores lutarão ao longo de uma única noite para ganhar um torneio de kickboxing na categoria de 62,5kgs. O show será realizado no Ginásio da Prefeitura de Osaka.

O evento é encabeçado por uma disputa pelo título dos super penas ( 60kgs ) entre o atual campeão Takeru Segawa e o desafiante Koji Sumeragichi. O primeiro ganhou um torneio eliminatório de oito homens no K-1 disputado no início deste ano e também ganhou torneios dos pesos super-galo e pluma para se estabelecer como um dos melhores kickboxers do mundo.

No sábado Segawa ( 35-1 ), que não perdeu uma luta desde 2012 será um forte favorito contra Sumeragichi ( 25-12 ), que não tem um registro tão impressionante quanto o campeão.

O ‘co-main event’ será a final do torneio dos leves que está sendo disputado por nomes do porte de Fumiya Osawa, Liu Wei, Kyoshiro, Indigo Boyd, Yuto Shinohara, Gonnapar Weerasakreck, Kenta Hayashi e Nicolas Gaffie. Já outros lutadores ficarão de prontidão para o caso de alguém se machucar e poderão então entrar na disputa.

K-1 World Grand Prix Lightweight 2018
8 de dezembro de 2018
Ginásio da Prefeitura de Osaka
Osaka, Japão

17-Takeru Segawa (c) vs Koji Sumeragichi ( válida pelo título super featherweight )
16-Final do torneio dos leves
15-Yoshiki Takei vs Yodbuadaeng Fairtex ( super bantamweight )
14-Masaaki Noiri vs Riki Matsuoka ( welterweight )
13-Hideaki Yamazaki vs. Rukiya Anpo ( super leve )
12-Semi final do torneio leve
11-Semi final do torneio leve
10-Riku Anpo vs. Taio Asahisa ( super pena )
9-Shuhei Kumura vs. Yuta Hayashi ( super bantamweight )
8-Fumiya Osawa vs. Liu Wei ( torneio dos leves )
7-Kyoshiro vs. Indigo Boyd ( torneio dos leves )
6-Yuto Shinohara vs Gonnapar Weerasakreck ( torneio dos leves )
5-Kenta Hayashi vs Nicolas Gaffie ( torneio dos leves )
4-Hisaki Higashimoto vs Shinichiro Kawasaki ( Luta reserva do torneio dos leves )
3-Masafumi Kurasaki vs. Tetsu ( peso-pena )
2-Seiya vs. Koji Suzuki ( Leve )
1-Aoshi vs. Yuto Kuroda ( Super Bantamweight )

P.S.: Para informações atualizadas sobre o “novo K-1”, favor consultar : https://www.k-1.co.jp/k-1wgp/

*Texto do colaborador Oriosvaldo Costa. | Escrito em 7/12/2018
_

Foto acima : O show de Kickboxing acontecerá dia 8 de Dezembro no Ginásio da Prefeitura de Osaka ( Cortesia : Divulgação ).

Abaixo : O duelo Takeru Segawa vs Koji Sumeragichi será o ‘main event’ ( evento principal ) do show em Osaka ( Cortesia : K-1 Corporation ).










quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

A parceria do Rizin com o Bellator e a estreia do ex-WWE Jack Swagger no MMA



Em novembro de 2017, o Bellator fez barulho ao anunciar a contratação do ex-astro da WWE ( empresa norte-americana de luta livre profissional ) Jake Hager, conhecido como “Jack Swagger”.
Mas, apesar do que foi anunciado inicialmente, ele não estreou na promoção de Scott Coker em 2018 e, ao contrário, irá fazer a sua estreia no MMA profissional apenas em 2019.
A informação foi confirmada por um oficial do Bellator ao jornalista Ariel Helwani.

A luta acontecerá no dia 26 de Janeiro de 2019, no Bellator 214, em Inglewood, no estado americano da Califórnia, no evento que terá como combate principal a final do ‘Bellator Heavyweight Tournament’ entre o lendário lutador Fedor Emelianenko e Ryan Bader.

O ‘card’ irá ao ar na Paramount e também será transmitido no DAZN ( serviço de “streaming” de vídeo por assinatura de propriedade do Perform Group e que promete desbancar as transmissões feitas pelo sistema de pay-per-view das televisões por assinatura ao longo dos próximos anos. O serviço do DAZN é dedicado ao esporte, oferecendo transmissão ‘ao vivo’ e sob demanda de eventos de várias propriedades ).

A estreia do peso-pesado Jake Hager será diante de JW Kiser, um lutador de 41 anos, que tem um “record” de 0 vitórias e 1 derrota, o que indica que o presidente da Bellator, Scott Coker, tentou arranjar um adversário o mais fácil possível para o ex-WWE.
Hager, de 36 anos, deverá fazer seis lutas de MMA, conforme especificado em seu contrato com o Bellator.

Hager ainda tem outro show de wrestling profissional ( pro wrestling / telecatch / luta livre / puroresu ) para fazer neste sábado, e depois disso ele estará se dedicando ao treinamento de MMA em tempo integral para fazer a sua estréia profissional no ‘cage’ do Bellator.

Hager é um dos últimos pro-wrestlers a fazer a transição para o MMA. Essa lista inclui nomes como Brock Lesnar, CM Punk e Bobby Lashley.
Alguns jornalistas sugerem que, assim como Lashley, ele também poderia alternar as suas participações no Bellator e no Pro Wrestling, dividindo a sua carreira entre o MMA e a luta livre profissional, apresentando-se em companhias independentes, uma vez que este não renovou seu contrato com a WWE.

Não custa lembrar que que Jack Swagger também foi campeão All-American na universidade de Oklahoma, em luta livre colegial.

Outra novidade, esta anunciada pelo próprio Scott Coker à ESPN, é que o Bellator poderá trabalhar mais vezes com o evento japonês Rizin FF ao longo do ano de 2019.
A parceria entre ambas as organizações será retomada já nesse evento da véspera de ano novo, quando Darrion Caldwell, o campeão peso galo do Bellator, irá lutar contra Kyoji Horiguchi pelo título do Rizin FF.

Segundo Coker, Caldwell chegará à Tóquio como um herói disposto a roubar um novo cinturão em terras inimigas. Essa “justificativa” também será utilizada por Nobuyuki Sakakibara, presidente do Rizin, para enviar o lutador Kyoji Horiguchi ao Bellator.
O vencedor irá defender o cinturão contra o próximo candidato ao título, uma vez que defender seu território contra um invasor é um grande negócio promocional no meio das lutas.
Isso será muito importante para o Bellator e para o Rizin, pois as lutas cruzadas pelo título das promoções é exatamente o que ambas as franquias precisam agora.

Os dois dirigentes - Coker e Sakakibara - têm uma história, desde a época em que o primeiro era o chefe do Strikeforce.
E realmente, de muitas maneiras ele é a pessoa ideal para fazer algo parecido com este trabalho. Coker tem a reputação de ser um bom negociante e bem menos bombástico do que o presidente do UFC, Dana White.
O formato já funcionou para o Bellator e também deverá funcionar para o Rizin.

E, não vamos nos enganar, fazer um grande negócio do nada é essencialmente o trabalho do promotor de lutas. Às vezes, lutas com muito apelo “caem no seu colo”, mas na maioria das ocasiões é preciso muito trabalho duro para levar o público ao ginásio.

Os torneios são uma maneira de criar algo significativo, e tanto o Rizin quanto o Bellator já fizeram bom uso deles. Trabalhar em conjunto para criar uma luta campeão-contra-campeão é outro caminho, embora um pouco mais complicado.

E para qualquer promoção que não seja chamada de UFC, esse é o maior e mais extenuante desafio que existe.
Mas, se todos os obstáculos forem gerenciados adequadamente, eventos conjuntos como esse poderão acontecer mais vezes, o que será muito estimulante para o esporte, além de fazer frente ao monopólio no mundo do MMA.

*Texto do colaborador Oriosvaldo Costa. | Escrito em 6/12/2018
_

Foto acima : Kyoji Horiguchi vs. Darrion Caldwell faz parte do bem-sucedido esforço de promoção cruzada entre o Rizin e o Bellator ( Cortesia : Divulgação / Twitter / Scott Coker ).

Abaixo : Ex-astro da WWE, Jack Swagger tem sua estreia no MMA programada para o Bellator 214, em Janeiro de 2019 ( Foto: Joachim Sielski / Bongarts / Getty Images ).






quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

Tomo Maesawa e Reina Miura vencem na 22ª edição do DEEP Jewels no Japão



O DEEP Jewels, originalmente uma marca de propriedade da Marverous Japan Co., Ltd. é uma promoção exclusiva de lutas femininas no Japão. Seu intuito é revelar uma elite de mulheres competidoras de MMA na terra do Sol Nascente, para que os talentos do país não se resumam à apenas um punhado de lutadoras.

O show – que também é o sucessor direto do Smackgirl – teve a sua edição inaugural em 16 de novembro de 2008.

Os eventos que eram chamados anteriormente de Jewels MMA passaram à ser realizados pela mesma companhia que promove o DEEP Impact, depois que esta absorveu as suas operações em 25 de maio de 2013, e à partir daí a nova série foi batizada de DEEP Jewels.

Atualmente, o presidente do DEEP Impact, Shigeru Saeki, também é o supervisor do DEEP Jewels, o que faz com que haja uma aproximação profissional entre os colegas de trabalho de ambas as promoções.

No sábado, 1º de dezembro de 2018, o DEEP Jewels realizou seu 22º evento no Shinjuku FACE.
O Shinjuku Face é um salão de eventos localizado no 7º andar do complexo Humax Pavilion Shinjuku, 1-20-1, Kabukicho, em Tóquio, no Japão.
O local tem uma capacidade para receber aproximadamente 600 pessoas e também abriga principalmente outros shows de MMA, Boxe e Pro Wrestling.

Essa 22ª edição do DEEP Jewels que foi ao ar na Abema TV ( Japão ) teve como destaque a luta em que Tomo Maesawa venceu Mina Kurobe por decisão dividida para conquistar o título válido pelo campeonato do peso-átomo feminino no ‘main event’( evento principal ) do show.

Enquanto Kurobe superou sua última oponente ( Satomi Takano ) no Deep Jewels 19, em março, desta vez foi uma história diferente. Maesawa provou ter uma excelente técnica de luta no chão e derrubou Kurobe com um soco “super-man” já no segundo round.
Mas quando o round final começou, Kurobe mostrou a sua eficiência com joelhadas à partir do ‘clinch’. Contudo, ela ainda não foi capaz de levar Maesawa ao chão. A luta foi levada para a decisão dos juízes que deram a vitória por decisão dividida ( 30-27, 28-29, 29-28 ) para Maesawa, que se tornou assim a nova campeã dessa categoria de peso.

Outra atração foi o retorno de Reina “King” Miura ( Fight Club 428 ) ao Deep Jewels após uma ausência de seis meses para enfrentar a lutadora alemã Judith Ruis. Reina vinha direto de uma derrota para Kaitlin Young ( no Rizin FF- Rizin 12 ) e procurava apagar aquela atuação.
Desde os primeiros rounds, Miura superou Ruis em pé e com quedas, mas no terceiro as duas mulheres pareciam cansadas e incapazes de causar qualquer dano significativo.
A luta durou os três rounds completos e Miura foi a vencedora, melhorando assim o seu recorde para 10 vitórias e apenas duas derrotas.

No ‘undercard’ Satomi “Sarami” Takano lutou contra Yuko Saito. Essa foi a primeira vez que Saito lutou sob regras que permitiam o uso dos cotovelos. Saito esteve mais forte no início, mas Takano lutou com essa regra muitas vezes. Finalmente, Takano venceu com um total de 3-0.

O Deep Jewels 22 também viu Nanaka Kawamura, uma estrela em ascensão no MMA feminino do Japão, enfrentar a ‘striker’ Tomomi Souda. Kawamura ( que pertence ao grupo “Masked Girls” ), dominou Souda com quedas e usou suas habilidades de luta agarrada para controlar a sua adversária no solo, conseguindo assim a vitória.

Em seu discurso pós-luta, Kawamura apelou ao chefe do Rizin FF, Nobuyuki Sakakibara, por uma vaga no evento da véspera de ano novo. Sakakibara disse que essa era uma possibilidade e que iria analisar a inclusão de Kawamura no ‘card’.

Confira abaixo os resultados do Deep Jewels 22 :

Deep Jewels 22
01 de Dezembro de 2018.
Shinjuku Face
Tóquio, Japão.

Tomo Maesawa derrotou Mira Kurobe por decisão dividida ( 30-27, 28-29, 29-28 ) - título do peso átomo feminino
Reina Miura derrotou Judith Ruis por decisão unânime ( 30-27, 29-28, 29-28 )
Satomi “Sarami” Takano derrotou Yuko Saito por decisão unânime ( 30-27 × 3 )
Mika Nagano vs. Tanja Hoffman : luta terminou empatada por decisão majoritária ( 18-20, 19-19, 19-19 )
Yukari Nabe derrotou Takamori Ibu por decisão unânime ( 20-18 × 3 )
Sayuri Yamaguchi derrotou Yuko Kiryu por decisão unânime ( 20-18, 20-17, 20-18 )
Nanaka Kawamura derrotou Tomomi Souda por decisão unânime ( 20-18 × 3 )
Asami Nakai derrotou Izumi Noguchi por decisão unânime ( 20-18 × 3 )
Kotori Minato derrotou Mae Sasaki por decisão da maioria ( luta amadora )
Mao Ueda derrotou Chelsea por decisão unânime ( luta amadora )

*Texto do colaborador Oriosvaldo Costa. | Escrito em 5/12/2018
_

Foto acima : Tomo Maesawa conquistou o cinturão do peso átomo feminino após vencer Mira Kurobe ( Cortesia : Akihito Tatematsu )

Abaixo : Reina “King” Miura vem alternado suas apresentações no DEEP Jewels e no Rizin FF ( Cortesia : Divulgação DEEP Jewels ).



terça-feira, 4 de dezembro de 2018

Índia vs. Paquistão no Brave CF : MMA poderá ser uma solução para os países rivais?



O esporte é uma das saídas para a humanidade e o MMA, definitivamente, também deve ser incluído nesse conjunto, até por ser a modalidade esportiva que mais cresce em todo o mundo.

O MMA é o único esporte que consegue comportar, em uma mesma arena pessoas dos mais diferentes credos e religiões, tais como muçulmanos, cristãos e até mesmo ateus, competindo nesta modalidade que permite a utilização de socos, chutes, quedas, chaves, estrangulamentos e imobilizações com espírito esportivo e, o mais importante, sem inflamar a plateia com violentas paixões.

Esse expediente está sendo agora utilizado por alguns poucos países com um histórico de beligerância e rivalidade feroz e cujo principal objetivo é diminuir a tensão e a rivalidade entre si.

O Paquistão e a Índia sofreram um dos conflitos mais intratáveis do planeta, com quatro guerras e incontáveis incidentes e escaramuças desde a Segunda Guerra Mundial. A diplomacia esportiva proporcionou um grande avanço quando, em 2004, a equipe de críquete da Índia fez uma turnê pelo Paquistão. Em seguida, começou uma série de testes recíprocos, que abruptamente cessaram após os ataques de 2008 em Mumbai. Nenhuma série de jogos testes foi realizada entre os dois países desde então.

Contudo, na sequência, já em 2016, no WSOF-GC: World Series of Fighting Global Championship 3, nas Filipinas, Uloomi Karim, do Paquistão, derrotou Yadwinder Singh, da Índia, e os lutadores ergueram a bandeira do outro país. “A paz ganhou naquele dia”, disse Karim.

No Brave Combat Federation 17, em Lahore, o primeiro evento internacional de MMA no Paquistão, Mehmosh Raza conhecido como ‘the renegade’ estabeleceu o recorde de ‘luta mais rápida’ na promoção (23 segundos) e enviou uma forte mensagem para a comunidade indiana de MMA. “O Islã é uma religião sobre amor, é uma religião sobre paz”, disse Raza à multidão. “É para isso que estamos aqui - para espalhar o amor e espalhar a paz”.

Então Mehmosh Raza disse à multidão, e à administração do Brave, exatamente o que ele quer - “Promovam-me em uma luta entre nações. Paquistão contra a Índia. Quem quer ver isso!?”

O possível confronto poderá ter lugar no Brave CF 20 que será realizado na Índia, no dia 22 de Dezembro, no Gachibowli Indoor Stadium, em Hyderabad.

O evento terá uma série de lutas entre a Índia vs. o resto do mundo, incluindo Kantaraj Agasa contra Jalal Al Daaja, Abdul Muneer contra Ali Qaisi e Keith Lee contra Angad Bisht.

Ali Sultan, co-fundador da Team Fight Fortress, declarou: “Parabéns para o Brave Combat Federation por outro evento de sucesso. O Brave 20 será realizado na Índia e eu gostaria de ver um lutador do Paquistão no ‘card’, isso será um grande passo para promover o MMA em grande escala nos dois países”.

Quando isso acontecer, independente do resultado da luta, seja uma vitória, uma derrota ou mesmo um empate, você poderá ver os lutadores se abraçando como irmãos após a luta e, ao fazê-lo, eles começarão a levar os povos de seus países junto com eles, todos unidos em um só espírito: a promoção da paz.

*Texto do colaborador Oriosvaldo Costa. | Escrito em 4/12/2018
_

Foto acima : Mehmosh ‘the renegade’ Raza fala à multidão : “O Islã é uma religião sobre amor e paz”. Ele quer fazer parte do desafio Índia vs. Paquistão no MMA ( Cortesia : Divulgação ).

Abaixo : O desafio Índia vs. Paquistão no MMA terá lugar no Brave CF 20 que será realizado na Índia, no dia 22 de Dezembro, no Gachibowli Indoor Stadium, em Hyderabad. ( Cortesia : Divulgação Brave CF ).

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

O que esperar do MMA em 2019 ? [ previsões para o ano novo ]



Todo final de ano é a mesma coisa. Um grande número de pessoas sai à procura dos ditos profissionais “esotéricos”, sacerdotes e oráculos com o intuito de tentar ‘prever’ o futuro e vislumbrar o que o ano vindouro lhes reserva.
Particularmente, eu não recomendo tal prática por dois pequenos motivos. Primeiro por minhas convicções religiosas e fé ( sou muçulmano ) e em segundo, por já ter visto um bom número de vidas arruinadas e até mesmo famílias destruídas por essas práticas ( as vidas arruinadas à que me refiro são as das pessoas que procuraram tais métodos e nunca as dos “videntes” ou ‘médiuns’ ).

E por mais difícil que seja para mim, ainda tento ter o mínimo de respeito pelos credos alheios ( cada um acredita no que quer e lhe convém ) e pelas demais religiões ( essas são mais fáceis de respeitar, já que não sou um intolerante ).
Assim sendo, esse artigo irá abordar o tema “previsões do futuro”, mas com um cunho literário e humorístico ( além do informativo, é claro ).
Também não vou hesitar em revelar o que estava ‘oculto’ nos bastidores.
Tendo dito isso, vamos ao assunto que realmente nos interessa: as artes marciais mistas, ou MMA ( na sigla em inglês para : Mixed Martial Arts ).

Se já não estava claro, agora que Sage Northcutt assinou contrato com o ONE os críticos especializados em MMA podem comemorar. Eles acertaram mais uma : O UFC que conhecíamos durante a era Zuffa está morto, como muitos destes afirmavam após o show ter sido comprado pela WME-IMG / Endeavor em 2016.
O WME-IMG / Endeavor é um grupo econômico especializado em entretenimento e sem nenhum vínculo prévio com o esporte MMA.

Você pode até criticar a maneira que alguns negócios foram feitos sob a gestão dos irmãos Fertitta - uma abordagem que levou a litígios antitruste – mas não há dúvida de que a Zuffa levava a contratação de talentos do MMA à sério.

Os Fertitta conseguiram muito.
Desde derrubar a proibição da exibição das lutas na televisão até este esporte se tornar uma prioridade de exibição pelas emissoras de TV, da legalização do esporte nos 50 estados norte-americanos e a sua regulamentação pelas comissões atléticas estaduais até a sua aceitação pela conservadora sociedade estadunidense.
Tudo foi uma busca incansável pelo objetivo de tornar a modalidade tão popular quanto o futebol ou o basquete.
Veja que o fã casual ( e não o fã ‘Hardcore’ ) fala em “UFC” e não “MMA” quando o esporte é introduzido em alguma conversa.

Não podemos deixar de comentar – também – que tudo isso passou pela compra do Pride e do WEC, sem esquecer do WFA e do Strikeforce, o que fez com que a Zuffa adquirisse a reputação de uma empresa que visava o ‘monopólio do esporte’. Mas nada que não pudesse ser tratado nos bastidores.

Só que então o WME-IMG / Endeavor comprou o UFC e, bem, pequenas coisas começaram a acontecer uma atrás da outa.

Hoje, podemos afirmar que a empresa de combate ( que foi comprada por um valor estimado em US$ 5 bilhões ) ou não tem confiança nas suas próprias capacidades promocionais em recuperar o dinheiro investido no caminho ou têm um pensamento teimoso, de que não vai quebrar em nenhuma circunstância, mesmo que continue perdendo talentos como Mousasi, Machida, Alvarez ou Northcutt.
O fator agravante é que isso não importa para o WME-IMG / Endeavor, desde que a marca “UFC” permaneça forte.

Acontece que muitas estrelas continuam deixando a franquia desde então.
Rory MacDonald assinou com o Bellator pouco depois da venda. Gegard Mousasi, que pode ser o melhor peso-médio do mundo, também trocou o UFC pelo Bellator, assim como Lyoto Machida.
Em seguida, lutadores como Eddie Alvarez começaram a desertar para o ONE Championship, uma promoção asiática vista atualmente como ‘cheia de dinheiro’. Em seguida, Demetrious Johnson foi ‘trocado’ literalmente por Ben Askren.

Quanto à recente contratação de Sage Northcutt, eu não sei os números reais – mas talvez o ONE já esteja pagando tão bem quanto o UFC, o que faz alguns lutadores perceberem que realmente “existe vida” fora da organização presidida por Dana White.
Northcutt supostamente recebeu excelentes ofertas de todas as grandes empresas de MMA, e a sua contratação pelo ONE coloca em xeque a ideia de que só o UFC paga os melhores salários.
Conforme anunciado nas redes sociais pelo Presidente e CEO do ONE Chatri Sityodtong, Northcutt se junta agora aos dois outros lutadores do UFC que já haviam feito a transição para o evento asiático: Demetrious Johnson e Eddie Alvarez.

Não custa lembrar que Northcutt foi feito sob medida para uma promoção de luta dirigida por um conglomerado de Hollywood, tal como o WME-IMG / Endeavor.
Ele é um atleta com “cara de meme” que virou estrela do UFC da noite para o dia, muito às custas de suas habilidades atléticas, é fato.
Também pudera. Ele foi forjado pelo pai desde que era um garotinho para ser um atleta diferenciado. Treinou caratê, foi alimentado à base de suplementos, passou por competições de “fitness” para mostrar o corpo sarado e definiu desde cedo que seu sonho era ser um lutador do UFC.

Após a sua estreia no UFC em 2015, Sage chamou ainda mais a atenção por conta de um salto mortal que ele executou para comemorar a vitória que mais pareceu um lance de videogame. A imagem rodou o mundo, tamanha a plasticidade do movimento, e também pela facilidade com que ele aparentou executar o salto.
E ele também se destacou nas redes sociais pela sua aparência.
Principalmente por conta do seu cabelo, Sage Northcutt já foi comparado a um cantor do N'Sync, ao personagem Guile, do Street Fighter, a Ivan Drago ( rival de Rocky Balboa ) e até mesmo ao Ken ( namorado da “boneca Barbie” ).

Quer algo mais ‘Hollywoodiano’ que isso ?
E inexplicavelmente ele foi tratado como mais um ‘produto descartável’ pelo WME-IMG / Endeavor, que é um conglomerado especializado em gerir a carreira de tais estrelas.

O que eu quero dizer com tudo isso é que se os atletas do UFC continuarem migrando para outras promoções, o Ultimate perderá preciosos recursos, justamente na época em que seus novos donos esperavam ter retorno financeiro.
Por isso mesmo, se esse padrão continuar, é obvio deduzir que eventos como Bellator e ONE Championship, além de outras promoções pelo mundo, poderão fazer mais incursões reais neste mercado, outrora comandado pelo UFC e se consolidarão cada vez mais. Essa será uma das histórias para serem assistidas no ano novo.

Agora eu peço ao leitor que esqueça o contrassenso e me permita concluir esse artigo tentando fazer um ‘exercício’ de “futurologia” ( risos ).

O próximo ano marcará o início da retomada dos países do continente asiático como os principais pólos de MMA do mundo. Não é à toa que o próprio UFC já anunciou a construção do maior centro de treinamento e desenvolvimento de MMA do planeta, na China. Detalhes adicionais sobre o UFC Performance Institute Shanghai serão anunciados nos próximos meses.

Aqueles que questionam se o ONE será apenas o braço asiático do UFC ou fará frente à franquia estadunidense poderão ter a sua dúvida elucidada ao longo do ano seguinte.

Em 2019 nós teremos a sedimentação de promoções como o Bellator, ONE, Rizin e, quem sabe, talvez também tenhamos uma grata surpresa : outro evento de MMA da Golden Boy Promotions.

O ano vindouro também poderá ter a edição inaugural da Zuffa Boxing, empresa comandada por Dana White ( ainda presidente do UFC ) e voltada para a promoção de lutas de boxe, com o intuito de diversificar os seus negócios e gerar mais lucros.

Quanto ao UFC em particular, este terá que se esforçar muito para conservar o ‘status’ que ainda ostenta, ou então irá ‘cair’ mais e mais.

Mas, devo deixar bem claro que nessa época conturbada em que vivemos, nada é mais difícil do que ‘prever’ o futuro e nem o mais corajoso “vidente” arrisca-se a prever seque o dia seguinte.
Então só nos resta esperar e aguardar para ver.
Por outro lado, uma coisa já posso afirmar com certeza : este esporte maluco continuará nos proporcionando muitas surpresas em 2019.

*Texto do colaborador Oriosvaldo Costa. | Escrito em 3/12/2018
_

Foto acima : À partir do próximo ano, os países do continente asiático retomarão o processo de crescimento do MMA ( Cortesia : Divulgação ).

Abaixo : “Está escrito nas estrelas” : A contratação de Sage Northcutt pelo ONE é mais um ‘sinal’ de que o MMA voltará à crescer nos países do continente asiático ( Cortesia : Sherdog Forums ).















sábado, 1 de dezembro de 2018

Yoshihiro Akiyama e Miesha Tate assinam com o ONE Championship™ ( ONE )



Yoshihiro Akiyama é um dos mais emblemáticos lutadores asiáticos da história. Ele é um competidor de MMA e judoca japonês de quarta geração descendente de coreanos.
O cidadão de Osaka ( terceira cidade mais populosa do Japão ) começou sua carreira de artes marciais ganhando torneios em um nível amador.
No Judô, Akiyama foi medalha de ouro no campeonato asiático em 2001 ( representando a Coreia do Sul ) e dos jogos asiáticos de 2002 ( representando o Japão ).
A sua carreira no MMA teve início em 2004. Já em 2006, ele foi campeão meio-pesado do torneio K-1 HERO'S, braço das artes marciais mistas daquela que já foi considerada a maior promoção de Kickboxing do planeta. Para isso, ele precisou derrotar alguns dos nomes mais respeitados do setor, incluindo o ex-campeão peso pesado de boxe pela IBF François Botha e Melvin Manhoef, entre outros.
Nomes como Kazushi Sakuraba, Kazuo Misaki e Denis Kang também já se confrontaram com o judoca. Sua primeira derrota no MMA se deu diante do Kickboxer Jerome Le Banner em sua segunda luta profissional.

Yoshihiro Akiyama também já competiu pelo UFC onde protagonizou várias lutas emocionantes, tornando-se um dos primeiros atletas a ganhar três bônus consecutivos de “luta da noite” em suas três primeiras participações na maior franquia de MMA da atualidade.

Ele competiu no evento de Dana White pela última vez em novembro de 2015, em luta válida pelo UFC Fight Night 79, na Coreia do Sul, quando a sua carreira no UFC já mostrava-se difícil – Akiyama teve pela frente Chris Leben , Michael Bisping , Vitor Belfort e Jake Shields em lutas consecutivas - perdendo para todos os quatro e encerrando seu contrato com a promoção após um registro de 2-5.

O leitor mais atento poderá perceber, no entanto, que seu cartel como profissional de MMA é bem mais extenso : 14 vitórias, 6 derrotas e 2 ‘No Contest’ ( sem resultado ), com passagens em organizações do porte do K-1 Dynamite !!, K-1 HERO'S, Yarennoka e Dream.

A novidade agora, é que o atleta de 43 anos assinou com o ONE Championship, promoção com sede em Cingapura e uma das maiores da Ásia, em uma contratação que foi anunciada em sua conta no Instagram.

A notícia foi confirmada por Chatri Sityodtong, Presidente e CEO do ONE Championship, que declarou : “Tenho o prazer de anunciar que adicionamos Yoshihiro Akiyama à nossa lista de elite do ONE Championship. Akiyama é um verdadeiro representante das artes marciais asiáticas e é uma honra recebê-lo no palco da nossa competição. Ele é uma lenda absoluta no esporte, impressionando o público com sua suprema habilidade em artes marciais e inabalável vontade de vencer. Akiyama está preparado para confrontar-se com os melhores e mais brilhantes lutadores da divisão dos pesos-meio-médios ( em inglês : welterweight ) do nosso show, e vai ajudar a liderar os próximos ‘cards’ quando o ONE Championship for para as cidades de Tóquio e Seul em 2019.”

Além do judoca coreano-japonês, o ONE Championship também contratou recentemente o lutador Demetrious Johnson, naquele que foi classificado pela ESPN como o primeiro grande negócio feito na história do MMA.
O UFC concordou oficialmente em liberar seu ex-campeão peso-mosca de seu contrato para permitir que ele assinasse com o ONE Championship.
Em troca, o ONE concordou em liberar o ex-campeão dos pesos-meio-médios Ben Askren de seu contrato, a fim de assinar com o UFC.
Considerando que ambos os lutadores tiveram várias lutas em seus respectivos contratos, uma transação dessa magnitude nunca foi feita antes no MMA.

Agora, o ONE também está publicamente buscando assinar com o lutador recém-demitido do UFC Sage Northcutt.

Outra notícia confirmada que temos é sobre a contratação de Miesha Tate, ex-campeã do peso-galo feminino do UFC.
Ela se juntará à promoção do ONE Championship como a vice-presidente da franquia, em notícia muito comemorada pela revista FORBES, uma das principais revistas estadunidenses de negócios e economia que apresenta artigos e reportagens originais sobre finanças, indústria, investimento e marketing.

Miesha é uma pioneira do MMA feminino e tem sido uma fonte de inspiração para muitos jovens, homens e mulheres sedimentarem as suas carreiras no MMA em todo o mundo.
Ela também foi a penúltima campeã Peso Galo do extinto Strikeforce, título conseguido após vencer Marloes Coenen por finalização no quarto round, no Strikeforce: Fedor vs. Henderson, mas perdido em sua primeira defesa, contra Ronda Rousey, por finalização no primeiro round, durante o Strikeforce: Tate vs. Rousey.
Ambas fizeram uma revanche já no UFC, evento onde Tate ainda foi campeã após vencer Holly Holm, se tornando também uma das três lutadoras que já venceram a americana ( que também já foi campeã mundial de boxe 19 vezes em três categorias diferentes ) em uma luta de MMA.

Como lutadora profissional de MMA, Miesha acumulou um registro de 18 vitórias e 7 derrotas.
A assinatura do contrato com Tate solidifica ainda mais o compromisso do ONE com o crescimento e a expansão contínuos do MMA fora da Ásia e todas as regiões do mundo.
Este anúncio vem logo após o ONE anunciar seu novo empreendimento eSports.

*Texto do colaborador Oriosvaldo Costa. | Escrito em 1/12/2018
_

Foto acima : Chatri Sityodtong ao lado de Yoshihiro Akiyama. A contratação do ex-UFC faz parte do plano de expansão global do ONE ( Cortesia : Nation Multi Media ).

Abaixo : Miesha Tate foi nomeada Vice-Presidente do ONE Championship. ( Foto : Cortesia de Esther Lin | MMA Fighting ).



terça-feira, 27 de novembro de 2018

Instrutores com experiência de combate vs instrutores sem experiência em combate



O tema “instrutores com experiência de combate vs instrutores sem experiência em combate” é bastante interessante, uma vez que a cada dia se proliferam em várias cidades pessoas que se dizem ‘instrutores de combate’, ‘instrutores operacionais’, ‘instrutores de facas’, ‘instrutores de cursos’ e formações de ‘fim de semana’ e por aí vai.

Podemos ver diariamente Instrutores demostrando vídeos, fazendo afirmações e divulgando técnicas de diversas artes marciais, mas será que realmente tais instrutores possuem experiência real de combate? Será que eles já enfrentaram “adversários vivos” que se mexem e podem responder? Será que já levaram golpes de verdade ou até mesmo fizeram ‘sparring’ como “laboratório” para saber o que funciona ou não de suas artes? A resposta é que a maioria não sabem, nem vivenciaram isso, alguns até dizem que sim,sem ser verdade.

Sabemos que existe uma diferença muito grande de esporte para realidade, nem todos os instrutores possuem experiência de luta ou de enfrentamento, se escondem por trás de uma ‘camada de proteção’ de que “não precisam” ou “o que ensinam é muito letal para poder mostrar”. É preciso tomar cuidado com tais Instrutores.

Existe uma diferença muito grande de instrutores de defesa pessoal que possuem experiências reais de luta, já enfrentaram alguém ou já lutaram realmente, esses estão mais familiarizados como o sentimento real do que é ser golpeado de verdade, e o que pode ou não funcionar de seus sistemas, na minha opinião, tudo que é mostrado é apenas uma imagem do que ‘pode ser’ ou ‘pode acontecer’, você pode mostrar técnicas diversas, letais e até chamar atenção em vídeos, mas talvez você nunca saberá se o ‘que ensina funciona’ se não passar a usar o “laboratório”. Durante anos eu falei isso para diversas pessoas e praticantes de métodos de combate no Brasil, e eu mesmo sempre estive dentro do “laboratório marcial”.
Foi assim que eu fui descobrindo como usar as minhas ferramentas e o ‘que pode ou não funcionar’, o cérebro precisa estar conectado à isso, para quando você precisar realmente, você possua o que chamamos de ‘atributos’, mas muitos instrutores não sabem nem o que seja isso.

Instrutores com experiência de combate com certeza possuem diferenças cruciais dos companheiros que não possuem, então atentem à isso, são duas coisas bem diferentes o que vou falar agora, gravem isso, “ter as ferramentas e saber usar as ferramentas”, a quantidade de pessoas e instrutores que não sabem usar as “ferramentas” são muitos, e ainda mais com a proliferação de “formações imediatistas” onde a maioria hoje em dia adentram. Sabemos que existem métodos simples de aprender, mais se leva tempo, estudo e experimentação para realmente saber usar e possuir habilidades em determinado sistema ou arte.

Existe uma diferença muito importante a se fazer, existe uma diferença entre um ‘lutador esportivo’ e um ‘instrutor de defesa pessoal’. Claro, existem muitas diferenças a serem analisadas antes de uma confrontação esportiva, a maioria dizem assim : “não luto porque na rua não há regras”, outros dizem que “minhas técnicas são letais demais e posso matar alguém no ringue”. Sim. Isso nós sabemos, mas se você não possui ou possuiu experiência de luta e de combate nem que seja ‘sparring’ ou algo semelhante, como você acha que vai também reagir a algo sem regras? Mesmo sendo instintivo você não possui tempo de reação, nem ‘timing’, nem controle de distância, pois a vida inteira seu trenamento foi parado e baseado em teorias ou oponentes “parados e mortos”.

Por outro ângulo, também sabemos que ser um lutador não quer dizer que você vá sobreviver a ataques reais que possuem outros elementos que não possuem ou não estejam presentes no seu treino diário ou ringue, portanto deve haver um equilíbrio.
Agora, se esse determinado instrutor de defesa pessoal ou métodos de combate ou qualquer que seja o seu sistema, além de ensinar possua experiência do que foi dito ( luta e combate ), esse é um instrutor que conhece “os dois lados” e pode fazer sua técnica ou arte funcionar.

É fácil de você perceber em vídeos por aí, praticantes que sinceramente não sabem socar, não sabem chutar nem saber derrubar alguém, mais estão lá sendo instrutores de alguma coisa, esses tais ‘instrutores de defesa pessoal’ podem se dar mal a qualquer momento, quando forem confrontados com a realidade, muitos sabem disso e por isso evitam certas situações.

Conheço muitos praticantes que não sabem nada do básico, mas querem ser avançados, querem os títulos de “monitor” ou “instrutor” para poderem se promover. É lamentável, porque esses podem se dar mal a qualquer dia.

Durante anos eu pude interagir com diversos tipos de pessoas, praticantes, artes e adversários diferentes, depois disso pude perceber o quanto o que estou falando é real e verdade e instrutores de experiência real sabem disso.

Espero que este pequeno artigo que escrevi possa alertar as pessoas que procuram aprender métodos de qualquer ‘instrutor de defesa pessoal’ por aí e também que possa ajudar alguns a abrirem os olhos para si mesmo e para o que fazem e como treinam seus métodos.

*Texto escrito pelo Sifu Edmarcio Rodrigues | Postado por Oriosvaldo Costa em 27/11/2018

[ * ] O Sifu Sifu Edmarcio Rodrigues é Full Instructor em Contemporary Jeet Kune Do e Kali. Mataas Na Guru em Artes Filipinas Kali. Instrutor Military Edged Weapons. Instrutor Rápid Assault Tatics ( policiais, militares e seguranças). Faixa preta 1° Dan de Luta livre e Submission.
_

Foto : O tema é bastante interessante e tem gerado debates acalorados entre os “adeptos” e os ‘instrutores’ de defesa pessoal ao longo dos anos ( Cortesia : Divulgação ).