sábado, 24 de junho de 2017

Exclusivo – Confira entrevista com o ‘Dana White de Kolkata’, Ratul Mukherjee, um dos principais nomes do MMA Indiano



O presidente da BOOM IPFL ( BOOM MMA - Indian Premier Fighting League ) Ratul Mukherjee levou algum tempo para responder às perguntas sobre o cargo que ocupa no MMA da Índia. Ele também nos deu uma visão sobre o que é ser um promotor na Índia. Um homem de tolerância zero para a besteira, Ratul foi rotulado como “ o Dana White de Kolkata ”. Ele responde perguntas sobre lutadores indianos, AIMMAF e muito mais.

Oriosvaldo Costa-O MMA não é um esporte muito popular na Índia. O que o levou ao MMA? Quais são os maiores desafios que enfrentou? Você tem alguma formação em esportes de combate?
Ratul Mukherjee- Ao contrário da crença popular de que o MMA não é famoso na Índia. As Artes Marciais Mistas levaram o mercado de esportes indiano pela tempestade. Claro que o Cricket ainda é o principal esporte apoiado pelo governo e grandes empresas e que está preocupado em gerar dinheiro. A razão pela qual eu entrei no MMA é que a Índia tem uma história e uma tradição nos esportes de combate e artes marciais em geral, qualquer pessoa pode verificar os grandes épicos como Mahabharata e Ramayana e ter uma idéia de lutas, ‘ stripping ’ e submissão, fazem parte de nossa cultura. Sim, eu tenho uma formação em lutas especificamente em Judô e lutei em algumas lutas clandestinas de MMA.

OC- Você é o Presidente da promoção Boom FC. Qual foi a visão original com a qual a promoção foi iniciada? O que você considera sua maior conquista até agora? Qual é o objetivo de longo prazo da promoção?
RM- Sendo o presidente da Boom IPFL, eu também era um dos lutadores no ‘card’ de luta clandestina do primeiro evento da BOOM 1. Nossa visão desde o início do BOOM foi proporcionar uma plataforma comum para todos os lutadores que desejam experimentar o MMA e difundir a beleza do MMA em todas as ruas e cantos da Índia, especificamente em Kolkata.
A nossa maior conquista foi a saída do BOOM do gueto de Topsia ( a área mais negativo de Kolkata ) para torná-lo uma das promoções mais tradicionais da Índia. Entre as minhas outras conquistas é que recebi alguns e-mails do UFC em relação à Índia vs. China (Série TUF). O objetivo à longo prazo de crescimento do BOOM IPFL é ser parte do UFC Fight Pass e proporcionar aos nossos combatentes [locais] de MMA uma oportunidade para lutar nos EUA e pagar-lhes em dólares.

OC-Para o crescimento de qualquer esporte, este precisa de um astro de primeira grandeza. Por que você acha que o mundo do MMA não conseguiu produzir um? Quais são os seus pensamentos sobre a safra atual de lutadores do MMA indiano? Quem é o melhor?
RM-MMA tem estrelas como McGregor, Anderson Silva, etc., mas ainda não são tão conhecidas como Maradona ou Sachin Tendulkar na Índia. Da mesma forma, as estrelas do Boom IPFL têm registros no Sherdog, tais como Ateet Kelvin Gupta, Aquib Maqsood, Suleiman, Tanmoy, etc., mas, como não são endossados por grandes empresas, ainda estamos para torná-los celebridades.
O BOOM IPFL pagou um montante total de 50K ao vencedor do título na disputa do cinturão no nosso evento mais recente, que ocorreu no Estádio Khudiram em 7 de maio de 2017. Esta quantia é apenas US $ 800 ( aproximadamente ). Não é nada comparado aos milhões de dólares que os ‘cricketers’ indianos são pagos. Daí BOOM IPFL apresentará séries de TV em parceria com Fitness & Combat Chronicles e com outras casas corporativas para que possamos pagar melhor os lutadores e gradualmente nos estabelecermos da mesma forma que Bellator ou One FC.

OC- O que você pensa sobre a situação do MMA indiano? O MMA é notoriamente conhecido pela má política dos bastidores. A maioria das promoções, incluindo o Boom, já foi acusada de tratar mal os lutadores. Quais são as suas opiniões sobre tais acusações? Quais são os seus pensamentos sobre o relacionamento promotor / lutador na Índia?
RM- Na verdade, MMA, boxe ou WWE são notórios pela a política de bastidores. Francamente falando, eu tenho que concordar que o líder deve ser implacável às vezes. Se eu sou acusado de tratar mal os lutadores, então eu digo que o próprio Dana White também já o fez e eu já fui oficialmente declarado o Dana White de Kolkata pelos meus inimigos para me fazer tropeçar. Mas eu tirei a sua glória ao aceitar com gratidão esse título e se isso não me faz um idiota, então, serei como ele.
Quanto aos meus pensamentos sobre as acusações, ainda estou enfrentando um lutador que gosta de perder. Cada um deles quer lutas fáceis e grandes cheques de pagamento. Minha responsabilidade é entreter os espectadores e dar às pessoas a emoção do MMA. Se isso significa que os lutadores têm que esmagar seu traseiro para entar no topo, então, que seja.
A safra atual de lutadores é boa e sim, eles estão evoluindo. Olhe para Chaitanya Gavali, Abdul Munner, eles são a classe da indústria de MMA indiana. No BOOM IPFL você pode encontrar o rostos famosos como Ateet Kelvin Gupta ou Utshob Mitra. Eles são os nomes que queremos!
Meus pensamentos sobre a relação promotor / lutador [é que isso] deve ser mutuamente benéfico. Não deve haver nada como amigos íntimos entre um promotor e um lutador. Afinal, é um negócio, então é melhor trabalharem como profissionais.

OC- Os lutadores indianos de MMA enfrentaram muitos problemas no passado. Queixas sobre não terem sido pagos em absoluto por suas lutas, queixas sobre tortura emocional por parte das organizações, problemas de gerenciamento de equipes e falta de apoio de todos. Como o Boom poderá mudar essa situação para os lutadores de MMA? Quais são os seus pensamentos sobre a afirmação feita por vários lutadores de que a maioria dos promotores não apoiam o crescimento de competidores de MMA?
RM- Os lutadores não recebem o tratamento que merecem ! Se você for para a história do negócio de luta, você pode [escrever] esta declaração também! Que tipo de tratamento os lutadores querem? Hotéis cinco estrelas, passagens aéreas, enormes compensações em dinheiro e muita atenção direta; Estamos preparados para isso se eles nos trouxerem alguma coisa sobre a mesa. Eu não quero lutadores de registro 0-0 ou seus gerentes para colocar termos e condições tão simples quanto à isso. Eu estou lhes dando a oportunidade de lutar em uma plataforma pela qual eles terão seu nome e recordes registrados no Sherdog , estou lhes dando uma plataforma para fazê-lo. Agora, o que mais eles podem esperar de nós. Eu não irei cobrir as suas despesas, a menos que eles façam valer o seu salário. Atualmente, todos os lutadores pensam que são Conor McGregor e eles precisam de todas essas coisas de sonho, então eu, como promotor, pensa como Dana White. Agora, começamos com uma liga conhecida como BOOM -Indian Premier Fighting League, que é um torneio eliminatório de oito homens em uma única noite em uma categoria de peso especial e o vencedor leva tudo. Então, não é bom se estamos lhes dando uma chance? Nós pagamos mais de 1,5 lacs, incluindo o prêmio de 50K para o campeão das lutas do torneio eliminatório, como as taxas de custos total em nosso último evento e cobrimos todas as despesas daqueles lutadores que merecem ter esses tratamentos. Como o presidente da BOOM IPFL, posso dar-lhes uma vida que [eles] amam, a carreira que eles querem viver, mas sim, como eu disse, eles devem fazer valer o seu salário.
Bem, eu quero o crescimento dos lutadores. Se eles crescerem eles venderão o show e a franquia irá embalar. Então, do ponto de vista do negócio, o crescimento de um lutador de MMA é uma necessidade, mas isso não significa que vamos tolerar todas as suas exigências.

OC- Recentemente, o gerente da estrela do lutador peso pesado indiano, Yogesh Jadhav , divulgou em várias plataformas de mídia social que estava desafiando todos os pesos pesados indianos para uma luta contra Yogesh. Você respondeu que o Yogesh era um lutador de classe C. Por quê? Quais são os seus pensamentos sobre esse desafio?
RM- Quando Yogesh se tornou uma estrela? Foi eu quem agendou sua estréia no BOOM IPFL 1. Você sabe, vou fazer uma década nesta indústria, então confie em mim, Yogesh é um lutador "C", é fácil para qualquer lutador de 92 -94 kgs ganhar de um gigante de 104 kgs com aquele alcance naqueles torneios ‘inter-academia’ ou ‘inter-estaduais’, mas não em uma promoção profissional real. Você viu Yogesh lutando com Tony no BOOM ?? Tony estava controlando o ‘round’ quando ele alegou cotoveladas ilegais e conseguiu que a luta se transformasse em uma competição sem esse recurso. Ele é um lutador que não possui a ética de um lutador profissional. Ele vai perder ou terá seu traseiro chutado por qualquer um dos pesos pesados treinados neste país. Ele escolheu a carreira errada !!!
Quanto ao desafio, é o mais engraçado que Shantanu possa fazer !! Eu duvido que não haverá nenhum peso pesado e qualquer pessoa que vá a Bangalore às suas próprias custas para lutar contra Yogesh com algum lucro (em dinheiro ou outros tipos). Guarde as minhas palavras, não haverá desafiante no local ou um lutador pesando cerca de 90-92 kgs para lutar contra ele. É um desafio sem valor e é apenas uma perda de tempo.

OC-O gerente de Yogesh ainda o acusou de tratar mal o seu atleta por não lhe fornecer uma dieta adequada. Você respondeu dizendo que você não era responsável pela dieta de um lutador. O trabalho do promotor não é garantir que os lutadores estejam saudáveis? Quais são os seus pensamentos sobre as acusações feitas por eles? Por que o BOOM não pode fornecer uma dieta apropriada aos lutadores ?
RM-Como já afirmei anteriormente, não vou gastar minha fortuna ganha de maneira dura nesses lutadores de recorde 0-0. Então, quando Shantanu pediu uma alimentação melhor, prontamente concordamos e providenciamos a dieta que planejamos fornecer aos outros lutadores. Em vez disso, Shantanu mandou providenciar uma alimentação diferenciada para Yogesh. Agora, não posso exceder o meu limite financeiro devido a dieta de um gigante, certo! Portanto, a dieta que fornecemos foi saudável e normal. Na verdade, pagamos ao hotel quando o gerente nos disse que perdeu seu dinheiro !!
Shantanu é um ‘asshole’ com zero senso de responsabilidade gerencial. Ele é uma dor de cabeça patética para um promotor. Ele não tem a qualidade que o gerente de um lutador precisa ter. Ele é um lixo !!!

OC-Você é um membro da AIMMAF. Qual é a sua visão sobre essa Federação? Uma vez que o MMA não é reconhecido como um esporte pelo governo indiano, como o AIMMAF está ajudando a mudar esse cenário? O que você acha que foi a maior conquista do seu trabalho? Quais são seus planos futuros?
RM-O AIMMAF foi formado pelo Aditya PS. A visão que tenho da AIMMAF é que esta trabalha para fornecer aos lutadores uma plataforma digna e mantê-la livre de corrupção.
AIMMAF está apoiando muito os lutadores, negociando lutas para eles no BRAVE. Na verdade, durante os últimos dois anos, o AIMMAF está enviando seus lutadores para o Bahrein para lutar no torneio de MMA India vs. Bahrain, promovido pela associação KHK MMA. [No] futuro [nós] estaremos no ar uma vez que o presidente Aditya PS & Secretary Mayur Bhansode decida.

OC- Qual é a sua mensagem final para o nosso público?
RM- Nunca perca a ação sempre que um evento de lutas de MMA estiver acontecendo. Especialmente se esse evento for o BOOM IPFL.

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*Texto do colaborador Oriosvaldo Costa

Foto acima : Ratul Mukherjee em pose com o cinturão do BOOM MMA - Indian Premier Fighting League.

Abaixo : A ação no ‘cage’ do BOOM IPFL. O MMA tornou-se um ‘negócio da Índia’ e promete crescer ainda mais no país.





segunda-feira, 19 de junho de 2017

Bruce Lee é um dos ‘pais’ do MMA?



Finalmente o filme 'Birth Of The Dragon' irá fazer sua estréia nos cinemas dos EUA,em 25 de agosto desse ano. Em Setembro passado, o longa já havia sido exibido no Toronto International Film Festival, no Canadá. Trata-se de mais uma cinebiografia da lenda do cinema de artes marciais, Bruce Lee, magistralmente interpretado por ator chinês Philip Ng.

Coproduzida entre China, Canadá e EUA, a cinebiografia vai retratar o lendário duelo de Bruce Lee com o mestre de Kung Fu Wong Jack Man, ocorrido em 1964 no estado norte-americano da Califórnia. Yu Xia, também chinês, ficará com o papel de Jack Man. O embate aconteceu devido a uma comunidade marcial chinesa nos Estados Unidos não aprovar o fato de que Bruce estaria ensinando os 'segredos' do Kung Fu aos não-chineses. No filme, o duelo é mostrado como uma espécie de "No Holds Barred" ( não há regras ), termo pelo qual os norte-americanos se referiam ao MMA nos seus primórdios.

Como acontece com quase todos os filmes, a história narrada em 'Birth Of The Dragon' mistura fatos reais com uma boa dose de ficção, já que depois do confronto, Bruce Lee e Wong Jack Man formam parceria para derrubar a máfia chinesa na Chinatown de San Francisco – fato que não ocorreu na vida real.

Nesse ínterim, gostaríamos de salientar que a película reacende a discussão em torno de Bruce Lee ser considerado como um dos "pais" do MMA. Pois a luta em questão também teria sido o estopim para que Lee modificasse completamente seu método e seu treinamento, o que viria a ser mais tarde o embrionário de sua técnica chamada Jeet Kune Do.

Para desenvolver o seu Jeet Kune Do Bruce Lee utilizou como base diversas artes marciais entre elas o Boxe, Kung Fu estilo Wing Chun, Judo, Jiu-jitsu, Savate, entre outros estilos e já defendia que o melhor estilo é uma mistura dos estilos ou abreviando MMA (Mixed Martial Arts ou Artes Marciais Mistas), sendo por isso considerado como um dos pioneiros do "Cross Training" ( o treinamento para o MMA ), por ninguém menos do que Dana White, o presidente do UFC. “Não há discussão: Bruce Lee é o pai do MMA”, declarou o cartola, em nota. Inclusive, Dana costuma ir à coletivas de imprensa do UFC trajando uma camiseta cuja estampa é : “Jun Fan Gung Fu”. Lee Jun Fan é o nome em chinês ( de batismo ) de Bruce Lee.

Shannon Lee, a filha do lendário ator e lutador, ficou a cargo do projeto do filme, por meio de sua produtora Bruce Lee Entertainment. Foi ela quem produziu o longa com Lawrence Grey (‘Última Viagem a Vegas’) e Janet Yang (‘O Povo Contra Larry Flint’). Shannon também comenta sobre seu Pai e o MMA.

"Eu sempre faço uma distinção entre o JKD e o MMA. Não vejo como a mesma coisa. Mas quando se fala na filosofia do meu pai, percebe-se a noção de se ter um lutador completo, capaz de se defender ou atacar em qualquer situação. O UFC não é uma luta de rua e acho que também mostra muito daquela filosofia de o lutador ter de ser completo", afirmou Shannon, agradecendo aos donos da maior franquia desse esporte na atualidade pela homenagem ao seu genitor, considerado pelos mesmos como um dos "pais" do MMA.

Sobre o filme 'Birth Of The Dragon' Shannon encerra : “Houve alguns projetos envolvendo o meu pai, mas eles não tiveram um entendimento completo de sua filosofia e arte”, disse Shannon. “Eles não capturaram a essência de suas crenças em artes marciais ou suas histórias. A única maneira de fazer o público entender a profundidade e a singularidade do meu pai é gerar nosso próprio material e encontrar parceiros incríveis e mentes parecidas para se trabalhar”, concluiu.

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*Texto do colaborador Oriosvaldo Costa

Foto acima : 'Birth Of The Dragon' reacende a polêmica : Bruce Lee é um dos "pais" do MMA ?

Abaixo : Sobre o filme 'Birth Of The Dragon', Shannon encerra: “Houve alguns projetos envolvendo o meu pai, mas eles não tiveram um entendimento completo de sua filosofia e arte”, disse Shannon.

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Rings : um dos primeiros shows de MMA no Japão anuncia retorno para 2018



Inicialmente um show de Pro Wrestling baseado no Japão e fundado pelo lutador profissional Akira Maeda em 1986, o Rings Fighting Network ( Rede de Combate Rings ) , ou simplesmente RINGS, como se tornou mais conhecido por nós brasileiros, mostrou-se uma promoção bastante realista por estimular as técnicas de submissões e aproximar-se das futuras competições de Mixed Martial Arts ( MMA ).

Em 1995 o RINGS começou à promover lutas reais sob as regras do MMA e tornado-se uma das uma das principais promoções da época.

Para quem não lembra, o evento Rings, além de pagar bolsas bastantes generosas para os campeões de seus GP´s, serviu durante muitos anos de porta de entrada para lutadores brasileiros no Japão, e revelou para o mundo campeões do calibre de Rodrigo ´Minotauro´ Nogueira e Fedor Emelianenko, dentre outros, que posteriormente vieram à brilhar nos tablados do Pride e UFC.

Seu promotor, Akira Maeda, foi o único promotor de MMA no Japão à estar no nível de Antônio Inoki. Em uma época que este esporte não era sequer sombra do que é hoje e ainda sofria boicote político, Maeda conseguiu em sua luta de aposentadoria a bagatela de US $ 2,5 milhões, além de ampla cobertura da mídia, incluído os respeitados veículos de comunicação New York Times e Sports Illustrated.

São famosas as lutas de Maeda no Japão diante de Don Nakaya Nielsen ( um kickboxer americano ), Maurice Smith ( Hall da fama do UFC ) e Alexander Karelin ( Russo 3 vezes campeão olímpico de Wrestling ) .
Em sua carreira competitiva no MMA, o promotor casca-grossa obteve um registro no Sherdog de 7 vitórias e 5 derrotas.
Os fãs japoneses consideravam Maeda o maior lutador do país e passaram à chamá-lo de ´Kakutou-Oh´, ou seja, o “Rei das artes marciais”.

Os ambiciosos torneios de 32 homens promovidos pela franquia em 1999 e 2000 foram vencidos por Dan Henderson e Antonio Rodrigo Nogueira, respectivamente, e contaram com uma infinidade de lutadores de MMA de classe mundial, como Renzo Gracie, Renato ´Babalú´, Gilbert Yvel, Tsuyoshi Kosaka, Dave Menne, Randy Couture, Kiyoshi Tamura, Fedor Emelianenko, Ricardo Arona, Alistair Overeem e Jeremy Horn, entre outros.

Nesse período, o Rings fechou acordo com a WOWOW, uma forte emissora via satélite o que fez com que o evento crescesse absurdamente além de pagar boas bolsas em dinheiro para os seus lutadores.

Contudo, depois de perder muito de seus melhores talentos que acabaram assinando com o Pride, o Rings encerrou suas atividades em 15 de fevereiro de 2002. A promoção foi revivida por Maeda em 2008 ( embora com uma estrutura menor ) e este continua promovendo outros eventos de MMA até hoje.

Nesse ínterim, Maeda concentrou-se em promoções menores tais como o ZST ( pronuncia-se Zest ), também realizada sob as regras da franquia famosa ( o antigo Rings ) e o OUTSider.
O conceito do OUTSider é fornecer um caminho de reabilitação para jovens delinqüentes ( muitos dos lutadores do show são ex-membros de gangues ou ainda fazem parte das mesmas ) através do MMA.
O OUTSider é considerado um dos eventos mais populares na cena local do MMA e constantemente vende todos os ingressos dos shows realizados no Difer Ariake e no Cultural Gymnasium, ( com capacidade para 5000 pessoas ), além de ter enormes vendas de seus DVDs.
Como forma de incentivo todos os participantes do OUTSider recebem bolsas em dinheiro, mesmo aqueles que competem sob as regras amadoras e semi-profissionais.

Agora, Akira Maeda anunciou que irá voltar à promover os shows do Rings com uma grande estrutura e que vai fazer de sua franquia a maior organização de MMA do Japão.
Ele espera levar o público do seu OUTSider para o novo Rings e conquistar novos fãs.

Os planos para o Rings, que deverá retornar em 2018, começam com a promoção de um torneio eliminatório na categoria dos pesos pesados ( a categoria de peso predileta do público japonês ) e que contará com novos talentos além de escalar lutadores já estabelecidos no esporte.

A mídia especializada em MMA já começa à classificar o torneio como um “Pride 3.0” e os fãs estão eufóricos com a possibilidade de retorno do show.

Akira Maeda é, de fato, a esperança de um revival para os fãs, lutadores, mídia, e promotores de MMA no Japão e é melhor não duvidar do que este homem pode fazer por este esporte.

O atual cartola, inclusive, já andou comentando sobre o assunto em sua conta no Twitter : " Nosso desafio agora é continuar com a promoção de lutas profissionais no Japão e reiniciar a rede mundial do Rings."

*Texto do colaborador Oriosvaldo Costa

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Foto acima : Akira Maeda posa ao lado da logomarca do Rings Fighting Network.
Abaixo : a nova estrutura do Rings promete trazer à memória dos saudosistas lembranças dos torneios King of King de 1999 e 2000.





sexta-feira, 26 de maio de 2017

Pancrase 287: Brasileiros disputam cinturões da organização neste final de semana no Japão



Segundo evento de MMA mais antigo e contínuo do mundo, o Pancrase – que iniciou suas promoções de shows de lutas ainda em 1993 e meses antes do primeiro UFC – está sendo considerado por alguns especialistas como a maior promoção do Japão na atualidade.

No próximo dia 28 de Maio, um Domingo, será realizado o Pancrase 287 que terá lugar no Difer Ariake, em Tóquio.

Esse “card” irá nos presentear com duelos ´blockbuster´, incluíndo a disputa de dois grandes títulos.

Uma das lutas mais aguardadas desta edição será entre Hatsu Hioki ( 29-9-2 ) e Hiroshige "Hanzo" Tanaka ( 11-4-0 ) na categoria peso pena.
Hatsu Hioki é um veterano do UFC que assinou com o Pancrase no ano passado. Desde então, ele derrotou Kyosuke Yokoyama e Yojiro Uchimura depois de ser liberado da organização de Dana White. Hioki promete que está indo para a sua terceira vitória consecutiva no Pancrase. Ele também já foi campeão do Sengoku.

Já Tanaka fez sua estréia no MMA profissional em 2006 no evento ZST ( pronuncia-se Zest ) que é uma promoção realizada sob as regras do antigo Rings de Akira Maeda, mas após duas participações na franquia do ZST Tanaka migrou para o Shooto onde permaneceu até 2013. Em 2014 ele assinou com o One Championship onde perdeu para Herbert Burns por decisão unânime.
Então, mais de um ano depois, Tanaka lutou com Eric Kelly perdendo por decisão unânime novamente.
Depois de ser liberado do One, Tanaka retornou ao Shooto onde lutou Kazumasa Majima, mas apenas para perder outra vez por decisão unânime.
Até que ano passado Tanaka assinou com o Pancrase e após bater Uchimura em dezembro terá uma oportunidade para lutar com Hioki.

O show trará ainda algumas lutas particularmente interessantes para nós brasileiros pela inclusão de atletas tupiniquins na disputa de títulos.

Uma destas lutas irá por frente à frente a guerreira Kinberly Novaes (9-2) e a representante nipônica Syuri Kondo (4-0) na disputa de um dos primeiros títulos do Pancrase na divisão feminina ( cinturão peso palha ).

A brasileira de 26 anos tem uma formação de Muay Thai, mas está vindo de uma derrota para Rena Kubota no Shoot Boxing de novembro passado.

No evento principal desse Pancrase 287 teremos Shintaro Ishiwatari (21-6-4) enfrentando o veterano brasileiro Rafael Silva (28-5) na disputa do título dos galos do Pancrase.

Estamos na torcida pelos nossos compatriotas, pois o título de campeão do Pancrase é muito importante para sedimentar a carreira de um lutador de MMA.

Agora iremos traçar uma breve ´linha do tempo´ da citada franquia com o intuito de fazer o leitor compreender a importância dessa promoção de lutas da terra do sol nascente.

Estrelas do porte dos irmãos Ken e Frank Shamrock, Guy Mezger, Yoshiki Takahashi, Maurice Smith, Yuki Kondo e Bass Rutten, entre outros, foram alguns dos lutadores revelados pela franquia desde o seu inicio.

Nessa época, em 1993, o Pancrase adotava regras um pouco diferentes das vistas no MMA atual.

Cotoveladas na cabeça e chutar o adversário quando ele estivesse caído no chão eram técnicas proibidas.

Também era proibido socar o rosto do oponente com os punhos fechados quando se estivesse montado, mas era permitido faze-lo no tronco para mostrar superioridade técnica e de posicionamento e obter vantagens na contagem de pontos se a luta fosse parar na decisão dos juízes.

Chutar a cabeça do adversário com ambos em pé era permitido , assim como socos de todos os tipos abaixo do pescoço, no rosto só era permitido bater de mão aberta.

Não existia limite de tempo para a luta no chão, mas se um adversário segurasse nas cordas, a luta voltava em pé e se esse recurso fosse utilizado mais de uma vez, o lutador ganharia uma falta, sendo esse critério usado para desempate em lutas que fossem parar na decisão dos juízes.

Eram lutas bem técnicas e os lutadores originários do Pancrase vieram à se destacar em eventos de MMA posteriormente, sendo que quando estes começaram à ser produzidos no Japão o Pancrase já era uma febre por lá.

Posteriormente, o Pancrase passou à seguir as regras profissionais unificadas de MMA, ou seja, permitindo socos no rosto e demais regras, usando luvas e instituindo as novas divisões de peso. Até mesmo o tradicional ringue de cordas foi substituído por um Cage.

Contudo, foi desde maio de 2012 quando o Pancrase foi comprado por Masakazu Sakai da Smash Co Ltd, que a franquia adotou uma postura de marketing mais agressiva.

Em setembro de 2013, foi criado um novo torneio composto por duas classes de peso de oito lutadores chamado "Pancrase World Slam" e em maio de 2014, o Pancrase finalmente adotou a jaula de combate no formato Decagon.

Até a presente data que escrevo este artigo ( Maio de 2017 ), o Pancrase já promoveu 326 eventos ( 286 da série mais edições especiais ), a maioria dos seus shows foram realizados no Japão ( mais três na Austrália, dois na Coreia do Sul, Um na Inglaterra, e um no Hawaii, EUA ) e presidiu cerca de 3.532 lutas.

Se o seu interesse pelos eventos do Pancrase aumentou após ler esse resumo dos 24 anos de história da organização saiba que não faltarão oportunidades para acompanhar os futuros shows da franquia, uma vez que já foram agendados os próximos 17 eventos.

Por agora confira abaixo o card do Pancrase 287 que será realizado dia 28 de maio.
( card sujeito à alterações ) :

( NOTA .: O evento pioneiro, mais antigo e contínuo do mundo – portanto ainda em atividade – é o Shooto, que teve inicio em 1985, nessa era moderna do MMA ).

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*Texto do colaborador Oriosvaldo Costa

Foto acima : Pôster de divulgação do Pancrase 287- Ishiwatari vs Silva

Abaixo : Logo do Pancrase, segundo evento de MMA mais antigo do mundo e ainda em atividade.

Pancrase 287: Ishiwatari vs Silva
PANCRASE 287
28 de Maio de 2017
Differ Ariake, Tokyo, Japan
Card Principal:
Cinturão Peso Galo: Shintaro Ishiwatari vs Rafael “Morcego” Silva
Cinturão Peso Palha: Syuri Kondo vs Kinberly Novaes
Peso Pena: Hatsu Hioki vs Hiroshige Tanaka
Peso Palha: Ayaka Miura vs Thaiane Souza
Peso Mosca: Yuya Wakamatsu vs Takahiro Furumaki
Peso Galo: Kenta Sakuma vs Hidekazu Fukushima
Peso Palha: Takuya Eizumi vs Teppei Maeyama
Peso Leve: Eiji Ishikawa vs Kenichiro Togashi



quinta-feira, 25 de maio de 2017

Artigo : Polêmica na regulamentação do MMA 2 X 2 nos EUA



A Carolina do Sul, estado norte-americano, saiu na frente e tornou-se o primeiro dos EUA à regulamentar o MMA de duplas, também conhecido como MMA 2 X 2 ou Double Fighting aqui no Brasil.

A SCAC ( South Carolina of Athletic Comission ) tem a distinção de ser a primeira Comissão provincial à aprovar esse esporte combativo como profissional. ( Mas foi a Comissão Atlética do Estado do Mississippi quem primeiro sancionou um evento de MMA nos EUA ainda em 1996, quando legalizou o International Fighting Championship ( IFC ) em sua segunda edição ).

Agora, aproveitando-se do fato que um evento de MMA de duplas foi realizado na Virginia e sem o consentimento da Comissão Atlética daquele estado, os dirigentes da Comissão Atlética da Carolina do Sul querem sair na frente e legalizar o novo esporte, visto que ela ( a SCAC ) foi criada com amplos e suficientes poderes para aprovar novas formas de esportes combativos.

Ao contrário de muitas jurisdições que têm uma lista definida de quais esportes combativos suas comissões podem aprovar, a Carolina do Sul adotou uma abordagem mais aberta quanto a essa questão assim definindo o que pode legalizar como esporte combativo profissional :

"qualquer modalidade esportiva onde os participantes podem e, na verdade, se utilizem de chutes, socos, e outras técnicas que possam ser usadas para atingir ou por fora de combate um oponente em um evento ou exposição diante de uma audiência em uma plataforma, uma almofada, ou em uma área cercada por cordas ou outras marcas ".

Assim sendo, Blake Grice, juiz principal na Carolina do Sul e Geórgia, juntou-se à Comissão em uma reunião via teleconferência para discutir o pedido de licença feito por Casey Oxendine, Presidente e CEO do Arena Combat para decidirem também a respeito da segurança dos lutadores, regras do evento, número de médicos presentes, Árbitros, etc.
Ficou decidido que haverá a presença de 3 ( três ) médicos durante a luta e 3 ( três ) juízes de ringue, além de outros procedimentos.

O que é mais louco nisso tudo é que dois lutadores de MMA já morreram, há relativamente pouco tempo, em competições na Carolina do Sul, sob o resguardo da Comissão Atlética daquele estado e agora a mesma Comissão vai regulamentar também o MMA 2 X 2.

Já foi incluída uma luta de MMA de duplas no “card” de um evento de MMA promovido pelo Desert Rage, realizado no Paradise Casino, em Yuma, no Arizona e há – também – um movimento nesse sentido para promover esse novo esporte na Califórnia.
Países como Rússia e Brasil também já realizaram competições com essa variação do MMA.

As propagandas para a divulgação do Arena Combat já estão sendo veiculadas e estas dão contas que o Show será realizado no Myrtle Beach Convention Center,no dia 26 de Setembro.

Portanto se você está olhando para novos mercados com vistas à alavancar variações de esportes extremos de combate modernos, a Carolina do Sul é o lugar para obter sua licença e trabalhar junto com a lei.

Desde que você não inclua no “card” nenhuma luta de um atleta contra um canguru, pois "A Comissão Atlética da Carolina do Sul não irá sancionar eventos envolvendo animais, apenas com seres humanos ", informou em nota a Comissão Atlética mais polêmica do planeta e agora, mais do que nunca, sob o bombardeio de criticas dos fãs de MMA.

*Texto do colaborador Oriosvaldo Costa

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Foto acima : A ação no Arena Combat que promove as polêmicas lutas no formato do MMA 2x2 nos EUA.
Abaixo : a logo da Comissão Atlética da Carolina do Sul ( South Carolina Athletic Commission ).





sábado, 13 de maio de 2017

Após lutar na China veterano Shannon Ritch segue sua carreira em verdadeira maratona de MMA



Shannon "The Cannon" Ritch é dono de um dos maiores cartéis sancionados de MMA em todo o mundo na atualidade: 116-92-2 ( embora seu registro no Sherdog aponte apenas 55-81-4 ). Ele já lutou em vários países pelo mundo, tendo encarado verdadeiras lendas do esporte tais como Dan Severn, Kazushi Sakuraba, Shonnie Carter, Yuki Kondo, Frank Shamrock, Renato Veríssimo e José “ Pelé ” Landy dentre muitos outros adversários.

Recentemente o norte-americano participou do novo evento de MMA "The Legend King Championship", organizado pela Anhui Daxu Cultura & Media Co. Ltd., e que foi realizado no dia 29 de abril de 2017 em Zhuhai, na China.

O evento foi de 1ª linha e o promotor foi incrível, segundo as palavras do próprio Shannon.

Quanto à luta, esta teve momentos intensos de trocação e foi dramática do inicio ao fim.

Shannon desferiu um incrível pontapé na cabeça e ainda levou seu adversário ao chão com um “double leg”, mas a luta foi definida após os atletas retornarem ao confronto em pé, quando o russo acabou desferindo um chute na cabeça do norte-americano.
Assim sendo, Ritch acabou perdendo por nocaute depois de 4 minutos muito disputados e ainda no primeiro round.

Nada que abalasse a autoestima ou a determinação do lutador norte-americano que é conhecido por “ estar sempre pronto e ´ lutar com qualquer um ´ e à qualquer hora ”.

Incansável, Ritch -já de volta aos EUA- anunciou os próximos eventos que deverá participar em uma verdadeira maratona de MMA.

O primeiro evento dessa série será o RUF 13 que será realizado no Sábado, dia 13 de maio, no Blue Water Resort and Casino, em Parker, Arizona, EUA.
Nesse show, Shannon ( que ainda é conhecido como o lutador de MMA mais ativo do mundo ) vai encarar o veterano do UFC e WEC, Aaron Brink.
Estes dois homens estão entre alguns dos maiores lutadores de todos os tempos e irão disputar o título do RUF pela categoria dos pesos pesados nas regras do MMA.

Já no Sábado, dia 20 de maio, Shannon Ritch irá defender o seu cinturão de campeão dos pesos pesados do Gladiators Challenge diante de Josh Appelt. O evento terá lugar no Thunder Valley Casino and Resort, localizado perto de Sacramento, na Califórnia.

O Gladiator Challenge é uma organização de artes marciais mistas ( MMA ) baseada nos Estados Unidos e uma das mais antigas e tradicionais do país. O show foi fundado em 1999 pelo veterano do UFC Tedd Williams. O Gladiator Challenge apresenta estrelas de MMA (além de veteranos) sendo que muitos acabaram por aparecer em promoções como o UFC, Strikeforce, Bellator, Pride e Elite XC.

Atualmente, o Gladiator Challenge continua promovendo a indústria de MMA com mais de 35 eventos ao vivo por ano e conquistando uma enorme quantidade de fãs periodicamente, além de contratar os mais duros competidores do esporte .Os grandes nomes da franquia no passado incluem Uriah Faber, Jaime Jara, Quinton “Rampage” Jackson, Tyson Griffin, Rashad Evans, Mac Danzig, Chael Sonnen, Joe “Big Daddy” Stevenson, Dan “A Besta” Severn, Don “The Predator” Frye … e a lista continua.

Dando sequência à sua maratona de lutas, já no Sábado, dia 27 de maio, Shannon Ritch irá enfrentar o o ex-Campeão do UFC Dan Severn no evento Thunda In Guyana que será realizado no Cliff Anderson Sports Hall, na Guiana, país localizado no norte da América do Sul.

*Atualização : Infelizmente, Aaron Brink não conseguiu a sua licença à tempo para lutar MMA e foi impedido de lutar com Shannon pela comissão atlética local. Assim sendo, a luta de Shannon foi remarcada para o dia 15 de julho e terá lugar em Flagstaff, Arizona.

*Texto do colaborador Oriosvaldo Costa
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Foto acima : Pôster de divulgação do Gladiators Challenge, um dos mais tradicionais shows de MMA dos EUA que será realizado no dia 20 de maio, na Califórnia.

Abaixo : Banner da luta de MMA na China durante o evento The Legend King Championship em que Shannon Ritch lutou com Vitaly " o dançarino russo" Shemetov, que tem a fama de ser uma lenda do K-1 na Rússia.

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Família poderá receber $ 50 milhões em processo sobre luta que deixou boxer em coma



O advogado dos pais do boxeador Prichard Colon entrou com uma ação judicial na última quarta-feira ( 3 de Maio ) no Tribunal Superior de Justiça pedindo uma compensação de mais de US $ 50 milhões pelos danos causados ao pugilista porto-riquenho após uma luta realizada há dois anos com Terrell Willians, em Fairax, Virgínia, EUA.

Prichard Colon esteve em estado de coma desde a luta realizada em 17 de outubro de 2015 e permaneceu 221 dias depois em um centro de reabilitação, retornando em Maio de 2016 para a casa de sua mãe.

Naquela ocasião, Richard Colón, pai do lutador, declarou que seu filho ainda estava em coma, mas estável e pesava bem, por isso havia sido liberado para continuar se recuperando em casa.

Agora, o médico da fatídica luta na Arena EagleBank, Richard Ashby, está sendo denunciado por negligência.
Também a Headbanger’s Promotions e a DiBella Entertainment , co-promotores para o Premier Boxing Champions cujo card teve a luta televisionada pela emissora NBC estão sendo acionados judicialmente.

"Prichard, um promissor jovem boxeador profissional, encontra-se em estado vegetativo na casa de sua mãe, sem perspectivas de recuperar suas faculdades por causa de lesões sofridas durante um evento de boxe", diz o processo. "Esta lesão poderia ter - e deveria ter - sido evitada se o médico de ringue tivesse cumprido com as normas aplicáveis aos cuidados no tratamento de Prichard durante o evento."

"A lesão também poderia ter sido evitada se os promotores do evento tivessem garantido um médico qualificado no ringue, o qual estaria pronto para tratar os ferimentos de Prichard, se eles tivessem implementado um protocolo adequado de lesão cerebral". Continua o texto do processo.

No início do sétimo round da luta no ´undercard´ precedendo o evento principal ( entre Lamont Peterson e Felix Diaz ), Colon caiu de joelhos segurando a parte de trás da cabeça com a luva direita depois de absorver uma série de socos. Os golpes na parte de trás da cabeça são conhecidos como "socos de coelho", uma tática ilegal no boxe. Colón então caiu em quatro apoios, levando as duas luvas atrás da cabeça.

Williams ( o adversário de Prichard ) se afastou de Colon e balançou a cabeça com uma expressão incrédula. De pé em um canto neutro, Williams bateu nas luvas e pareceu estar dizendo à Colon: "Vamos."
Colón tropeçou em seus pés, segurando a luva esquerda na parte de trás da cabeça enquanto recuava para um canto neutro.
Nesse ponto, Ashby ( o médico de ringue ) examinou Colon e julgou-o apto para continuar. O árbitro Joe Cooper, entretanto, deduziu um ponto de Williams por um soco ilegal.

A luta terminou em desqualificação de Colon antes do 10 º round por causa da aparente confusão por parte de seu corner. Pensando que a luta havia acabado, a equipe de Colón começou a tirar as luvas depois do nono round, antes de perceber que haveria mais um round para ser disputado. Seu corner tentou recolocar as luvas de Colon, mas muito tempo tinha se passado, e Colón recebeu uma desqualificação.

Ao chegar em seu vestiário, Colon começou à queixar-se de tonturas e vomitou. Colon acabou desmaiando, e Ashby o examinou. Os EMTs transportaram Colon para o Fairfax Inova Hospital, onde o lutador foi submetido a uma cirurgia de emergência para um sangramento no lado esquerdo do cérebro.
Como citado anteriormente, Colon não recuperou a consciência e atualmente permanece sob o cuidado de seus pais, Richard e Nieves Colon, na casa de sua mãe em Winter Park, na Flórida.

"Se você perguntar a um médico em uma emergência, ou se você perguntar a um médico de ringue, a marca de uma hemorragia cerebral é a dor de cabeça e tonturas, e assim o Dr. Ashby nesse momento, teria que ter parado a luta", disse Ari Casper, o advogado que representa A família Colon, em uma entrevista por telefone em seu escritório de advocacia em Baltimore.

"Ele tinha que dizer Prichard, 'Se você quer continuar ou não, meu trabalho aqui é para protegê-lo. Você é meu paciente, e esta luta acabou, e eu tenho que levá-la ao hospital, e temos que estancar um sangramento em seu cérebro. ' E se ele tivesse feito isso, eles teriam levado Prichard ao hospital em tempo hábil. Eles poderiam ter controlado o sangramento, e teríamos uma situação completamente diferente agora. " Continuo o advogado.

Nos dias que se seguiram à luta, o Virginia Department of Professional and Occupational Regulation ( Departamento de Normas Profissionais e Regulação da Virgínia ) lançou uma investigação que demorou meses e concluiu que não haviam violações atribuíveis à Ashby ou aos promotores. O DPOR ( sigla para Department of Professional and Occupational Regulation ) supervisiona o licenciamento e a regulamentação para uma ampla variedade de eventos de lutas e negócios na Virgínia, incluindo as modalidades boxe, MMA e Pro Wrestling.

David Holland, comissário estadual de boxe para a Virgínia, também investigou o processo e indicou que todo o pessoal da arena, incluindo funcionários e pessoal médico, realizaram o evento de acordo com a regulamentação e que este foi realizado sob o formato mais rígido possível, naquela ocasião.

"Colón foi autorizado a continuar boxeando como se ele não tivesse sua visão prejudicada, lacerações graves, aparentes ossos quebrados ou qualquer outra lesão física óbvia", diz o relatório DPOR, "e Colon foi coerente, responsável e capaz de continuar por conta própria, depois de ter algum tempo de descanso adicional. "

As mensagens deixadas à procura de comentários de Ashby, Headbanger's Promotions e Lou DiBella, executivo-chefe da DiBella Entertainment, não foram respondidas imediatamente. De acordo com as pessoas familiarizadas com os procedimentos ( e que pediram anonimato, porque o litígio está pendente ), os promotores das lutas não são os responsáveis pelo processo de seleção dos médicos ringue e, portanto,estes não podem ser responsabilizados.

A atribuição de escolher um médico de ringue, bem como os árbitros de luta é atribuída à comissão de boxe, ou neste caso, a DPOR da Virgínia.

Jornalistas esportivos norte-americanos estão à comentar que este é um dos motivos ( dentre outros ) pelos quais as emissoras de TV daquele país estão relutantes em pagar honorários e direitos de transmissão para eventos de boxe, ao mesmo tempo em que eles investem milhões em outros esportes tais como o futebol americano ( NFL ), baseball, entre outros, uma vez que estas modalidades conseguem ocultar melhor esse tipo de problema, mesmo quando os seus atletas não estão mais em suas respectivas ligas.

Os especialistas esportivos encerram informando aos seus leitores que esse problema poderia ter sido resolvido por seus funcionários competentes.

Agora, a família de Prichard Colon poderá receber US $ 50 milhões de compensação e uma vez que a luta fatídica teve transmissão pela NBC, isso poderá ajudá-los no trâmite do processo.

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*Texto do colaborador Oriosvaldo Costa

Foto acima : Prichard Colon durante sua luta em17 de outubro de 2015 contra Terrel Williams. ( Foto : cortesia de Patrick Smith / Getty Images ).

Abaixo : Logo da emissora NBC que transmitiu a fatídica luta ´ ao vivo ´.